O Japão como lente para a introdução às economias regenerativas 0 247

O varejo torna visível o mindset linear da economia vigente, baseado na lógica operacional das cadeias produtivas que a rege (extração, produção e descarte). Como engrenagem que mantém acelerado o giro entre a extração de recursos naturais e o descarte do que produzimos com eles, o varejo nutre a nossa obsessão pelo novo: novos produtos, novas campanhas, novas lojas, novas tecnologias, etc. 

Tamanha aceleração alavanca a adrenalina que atrai profissionais apaixonados, inquietos e realizadores, mas esta mesma velocidade gera desmotivação quando detalhes não são cuidados, refletindo ausência de propósito em direcionamentos estratégicos do setor. O olhar para a tecnologia é um exemplo clássico. O entusiasmo do varejo por novidades traz certo deslumbramento por tecnologias digitais e a sua busca, conhecimento e aplicação se tornaram objetivos de inovação em muitos casos. 

A tecnologia digital é um princípio intrínseco a todos os movimentos e comportamentos de uma era que rotulamos como “Era Digital”, podendo ou não estar atrelada a um passo de inovação para um varejista. Como um meio para a inovação, a tecnologia tem propósito se condicionada ao objetivo em comum de qualquer pessoa, profissional e negócio: a transição da economia vigente para economias regenerativas, que dizem sobre a sobrevivência e sustentação evolutiva da vida de todos nós, seres humanos, que pertencemos e habitamos a natureza. De forma literal: sem ter vida, para que ter tecnologia?


ILUSTRAÇÃO DO PROGRAMA DA REGENERAÇÃO PELA ÓTICA DA ECONOMIA DA PAIXÃO, POR PAULA COSTA: a regeneração representa uma nova era [digital regida pela consciência], que convoca uma nova lógica produtiva: estamos transitando da cadeia LINEAR (extrair, produzir e descartar) para a cadeia SISTÊMICA (não-linear, criativa e REGENERATIVA). 

O mindset da economia regenerativa convida palavras como “transformação” e “ressignificação” para a agenda dos negócios, resgatando o princípio do foco da inovação: o diferente e, não necessariamente, o novo.

Um passo para este movimento é, por exemplo, ao invés de criar um novo planejamento, focar na continuidade evolutiva, revisitando o já existente e questionando o que pode ser melhorado, revisado, desconsiderado ou criado a partir do que já foi pensado aproveitando que já estamos próximos do grande evento de varejo em Nova York, a NRF, que tal pensar não somente nos novos cases e lojas, mas voltar aos que ouvimos nos últimos anos para compreender a sustentação e evolução dos mesmos? 

“A curiosidade gera regeneração, nos movendo para frente, alcançado e até mesmo ultrapassando os objetivos, enquanto uma cultura orientada somente aos objetivos, leva a escassez. No livro “The Power of Moments” aparece uma pesquisa na qual empresas que focam em clientes felizes e satisfeitos (que representam a abundância) alcançam aumento de receitas anuais superiores em relação as empresas que focam somente em recuperar clientes infelizes (que representam a escassez)” – foi o insight de Ale Valdivia, co-CEO da Alice Wonders, após ler a introdução do material “Japão & A Regeneração”, disponibilizado no final deste artigo. 

Assim como tecnologia é confundida com inovação, muitos varejistas ainda colocam a sustentabilidade somente no escopo do marketing.

É preciso conscientizar que a mudança que começamos a reconhecer pelo movimento do “ESG”, passando pela transição de cadeias lineares para cadeias regenerativas, não impacta somente a produção ou comunicação, mas de forma integrada, também se relaciona a como consumimos, trabalhamos, nos relacionamos, etc. É uma mudança na forma como vivemos e, por isso, do funcionamento da economia.

Como um ponto de partida inspirador para este movimento de transição cultural, compartilhei reflexões de uma recente passagem pelo Japão, visando referências a era das economias regenerativas e a aplicação da Economia da Paixão como metodologia de inovação para a transição de organizações a esta nova era.

Te convido a acessar aqui o material completo, passando por todos os itens abaixo, que já entregam em seus títulos, valores que sustentam a cultura de inovação pela ótica da Economia da Paixão e a mecânica de economias regenerativas:

  1. EDUCAÇÃO & RESPEITO

  • A comunidade depende de pertencimento e o pertencimento nutre e é nutrido pelo protagonismo
  • Visão de Propósito
  1. COMPROMISSO

  • Aprendizado Constante
  • A importância do belo na rotina
  • Atemporalidade
  • Laços e honra às origens e tradições
  1. SILÊNCIO

  • Habilidade de foco 
  • As multidimensões da sensorialidade
  1. VÁLVULAS DE ESCAPE

  • A arte de celebrar 
  • Ludicidade e irrealismo
  • Surpresa, diversão e encantamento 
  • Tolerância e acolhimento a falha e ao erro
  1. CONSCIÊNCIA DE FIM

  • Passado e futuro conectados ao presente 
  • Cultura vintage, revenda e upcycling
  1. IMATERIALIDADE & ESPIRITUALIDADE

  • Culto e conexão à natureza
  • Minimalismo: menos é mais
  1. RITUAIS

  • Lógica de abundância 
  • Portais
  1. CUIDADO

  • Reconhecendo o protagonismo de cada parte no todo
  • Tudo começa de dentro para fora 
  • Hospitalidade 
  1. BRASIL [e nosso baita potencial!]

  • Não precisamos viajar para sair do lugar!

Paula Costa é Comunicóloga formada em Publicidade e Gestão de Varejo pela graduação e MBA da ESPM, com especializações complementares em inteligência de mercado, pesquisa, antropologia, futurismo e inovação e passagem por instituições globais como Hyper Island e Tel Aviv University. Baseada na Europa, transita por diferentes países e eventos de arte, design, tecnologia, inovação, negócios e varejo, realizando curadoria de comportamentos, movimentos e tendências, que se fazem insumos dos insights que compartilha em grupos globais de inovação, como LinkedIn Creator e apoiadora do Fashion Revolution Brasil, além de aulas de Pós Graduação e MBA de instituições como a ESPM, palestras, workshops, mentorias e consultorias de tendências, inteligência estratégica e inovação, baseada na visão da Economia da Paixão, tema do livro de sua co-autoria e  foco do projeto de sua co-criação, o Inquietesi: laboratório da Economia da Paixão para a transição à Era Digital, regida pela Consciência.

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Co-autora do livro Economia da Paixão e co-criadora do Inquietesi - laboratório da Economia da Paixão para a transição à Era Digital regida pela Consciência -, é comunicóloga formada em Publicidade e Gestão de Varejo pela graduação e MBA da ESPM, com especializações complementares em inteligência de mercado, pesquisa, antropologia, sustentabilidade, criatividade e futurismo e passagem por instituições como Hyper Island e Tel Aviv University. Vivendo fora do Brasil, a partir de uma palavra chave anual como lente da Jornada da Economia da Paixão, transita por diferentes países e eventos de arte, design, tecnologia, inovação, negócios e varejo, explorando também de forma ativa e experiencial culturas e ferramentas não-óbvias na aplicação mercadológica, como astrologia, numerologia e correlatos, realizando a curadoria de comportamentos, movimentos e tendências, que se fazem insumos dos insights e despertar de consciência que provoca em aulas de Pós Graduação e MBA de instituições como a ESPM e o IED, palestras e workshops, acompanhamento de jornada de profissionais de inovação e consultorias de tendências, inteligência estratégica e inovação para organizações de diferentes setores globalmente, além da participação em grupos globais de inovação, atuação como LinkedIn Creator e apoiadora do Fashion Revolution Brasil.

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Smart Retail: Transformando lojas físicas em espaços inteligentes 0 936

Lojas físicas têm sido um elemento fundamental da experiência de compras há décadas, mas o crescimento do comércio eletrônico trouxe uma mudança significativa no comportamento do consumidor. Para permanecer competitivos, as lojas tradicionais precisaram se adaptar e abraçar as últimas tecnologias para oferecer aos clientes uma experiência de compras mais suave e agradável. É aqui que entra o Smart Retail.

O Smart Retail, também conhecido como comércio inteligente, refere-se à integração de tecnologias de ponta em lojas físicas. Isso inclui o uso de sensores, inteligência artificial e outras ferramentas digitais para melhorar a experiência de compras para os clientes. Desde o momento em que os clientes entram em uma loja, eles são recebidos por um ambiente de Smart Retail que lhes fornece informações em tempo real, recomendações personalizadas e um processo de checkout mais eficiente.

Uma das mudanças mais notáveis em lojas de Smart Retail é o uso de sensores. Esses sensores rastreiam o comportamento e as preferências dos clientes, permitindo aos varejistas personalizar sua experiência de compras de acordo. Por exemplo, se um cliente frequentemente compra um determinado produto, eles podem receber recomendações personalizadas com base em suas compras anteriores. Esse tipo de personalização ajuda a construir uma relação mais significativa entre o cliente e a loja, o que leva a um aumento da lealdade do cliente.

Outro aspecto do Smart Retail é o uso da inteligência artificial (IA) para automatizar e simplificar vários processos. Por exemplo, a IA pode ser usada para prever a demanda dos clientes, gerenciar o estoque e até mesmo auxiliar com vendas e marketing. Isso leva a uma operação de varejo mais eficiente e eficaz, permitindo que os varejistas se concentrem em fornecer a melhor experiência possível para o cliente.

O Smart Retail também aproveita os últimos avanços na tecnologia móvel. Os clientes podem usar seus smartphones para acessar informações da loja, visualizar detalhes dos produtos e fazer compras diretamente de seus dispositivos. Isso fornece uma experiência de compra mais conveniente e imersiva, permitindo aos clientes se envolver com a loja de maneiras novas e empolgantes.

Em resumo, o Smart Retail representa uma grande mudança no setor de varejo, oferecendo uma experiência de compra mais personalizada e eficiente para os clientes. Com a integração de novas tecnologias, as lojas físicas estão se tornando mais inteligentes e adaptáveis, tornando-se uma opção mais atraente para clientes que valorizam uma experiência de compra prática. Os varejistas que adotam o varejo inteligente estarão bem posicionados para competir no cenário de varejo em rápida evolução.

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Experiências Digitais: A evolução das lojas físicas 0 749

As Experiências Digitais em lojas físicas estão mudando a forma como os consumidores interagem com as marcas e os produtos. Essas tecnologias permitem que as empresas acessem informações valiosas sobre o comportamento dos consumidores, ajudando-as a entender melhor suas necessidades e desejos.

Por exemplo, as lojas podem usar sensores para rastrear as rotas que os clientes tomam ao redor da loja, a quantidade de tempo que passam em determinadas áreas e o que estão olhando ou tocando. Essas informações podem ser usadas para ajustar a disposição dos produtos, a exibição de marketing e a localização dos displays.

Outra forma de experimentar o comportamento do consumidor é por meio de tecnologias de realidade aumentada e virtual, como provadores virtuais e aplicativos de realidade aumentada. Esses recursos permitem que os consumidores experimentem produtos sem ter que sair da loja, aumentando a probabilidade de compra. Além disso, as lojas podem coletar dados sobre as preferências de cor, tamanho e estilo dos consumidores, ajudando-as a personalizar suas ofertas futuras.

As Experiências Digitais também estão mudando a forma como os consumidores pagam pelos produtos. As lojas podem oferecer opções de pagamento móvel, como Apple Pay e Google Wallet, tornando o processo de compra mais rápido e conveniente. Além disso, os consumidores podem usar aplicativos para escanear códigos de barras e comparar preços antes de fazer a compra.

Em resumo, as Experiências Digitais em lojas físicas estão revolucionando a forma como as empresas compreendem o comportamento do consumidor. Ao coletar e analisar dados sobre a interação dos consumidores com os produtos e as lojas, as empresas podem ajustar suas estratégias de marketing e vendas para atender melhor às necessidades dos clientes. E isso, por sua vez, aumenta a satisfação dos clientes e a fidelidade à marca.

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